O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de cafés. De 2006 a 2016, anualmente, o país produz entre 40 e 50 milhões de sacas de café em 2,23 milhões de hectares (estimativas da safra 2016/2017), das variedades arábica e robusta.


O café arábica corresponde a cerca de 80% do montante produzido, sendo que Minas Gerais é o maior estado produtor, responsável por cerca de 50% da produção de todo café brasileiro. O Espírito Santo se destaca pela produção de conilon/robusta, sendo o principal produtor deste tipo de café no país.


Devido à crise do café convencional em 2000, muitos produtores migraram para o sistema orgânico, principalmente pela possibilidade de venda a preços superiores. Nos anos de 2002 a 2004 o Brasil chegou a produzir até 300 mil sacas de café orgânico por ano. No entanto, tais produtores em sua maioria não detinham bons conhecimentos sobre as práticas orgânicas de manejo do solo, pragas e doenças, etc. Também não realizaram um investimento em qualidade e pós-colheita. Como consequência a produtividade de suas lavouras reduziu muito e tiveram dificuldades de vender os cafés de qualidade média. Com o retorno dos melhores preços do café convencional, muitos produtores abandonaram suas lavouras orgânicas e voltaram ao sistema convencional. Aqueles que continuaram firmes no orgânico foram os que possuíam boas técnicas de produção, ótima qualidade de bebida, fortes princípios ecológicos, mercado bastante remunerador e estável, e também os que tinham boa produtividade e custo razoáveis.


Portanto, no período de 2005 a 2013, a produção de café orgânico manteve-se numa média anual de 70 a 80 mil sacas. Somente nos últimos dois anos é que houve uma mudança nesse cenário e um maior estímulo à produção orgânica, sendo que para a safra de 2017 é esperado de 80 a 90 mil sacas de orgânico certificado mais cerca 20 mil sacas em transição para orgânico.


Em nível mundial, nos últimos anos a área cultivada com café orgânico praticamente quadruplicou, saltando de 200 mil hectares, em 2004, para quase 800 mil hectares, em 2014. A tendência para os próximos anos é de ainda mais crescimento. No Brasil, a estimativa atual é que a área cultivada com café orgânico seja de 5 a 6 mil hectares. 


Internacionalmente, o país é também conhecido principalmente pela produção de cafés naturais de terreiro, além do café cereja descascado e o lavado (despolpado), o que gera uma variedade enorme de perfis de qualidade e sabores, apreciados por compradores em todo o mundo. Casas de café especializadas e marcas de cafés especiais nos Estados Unidos, Europa e Japão utilizam grãos diferenciados, provenientes das melhores regiões do Brasil. O café natural brasileiro é base essencial para um espresso de qualidade.


As principais regiões produtoras de café do Brasil são: Sul de Minas Gerais, Cerrado de Minas, Matas de Minas, Mogiana Paulista, Conilon Capixaba, Montanhas do Espírito Santo, Planalto da Bahia, Norte Pioneiro do Paraná e Rondônia. Há ainda diversas microrregiões especializadas na produção de cafés de alta qualidade, com “terroir” únicos.

 

Cresce constantemente no Brasil o conceito sobre cafeicultura sustentável e de padrões de certificação, que incluem a cadeia produtiva. Alguns padrões/sistemas em destaque são: UTZ Certified, Rainforest Alliance, 4C, Fair Trade e Orgânico.


A demanda por cafés orgânicos, certificados e sustentáveis, principalmente em países onde o consumo de café é um forte hábito, como EUA e Europa Ocidental, tem crescido significativamente nos últimos anos. Os consumidores cada vez mais valorizam boas práticas de produção, relações éticas de trabalho e sistemas produtivos que não agridem o meio ambiente.